quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A valorização da História e cultura afro-brasileira por Luiz Carlos da Vila

Esta é a introdução de um trabalho monográfico ,por mim desenvolvido, para a conclusão do curso de pós - graduação em História da África e do negro no Brasil , na Universidade Cândido Mendes em 2009.
Através desta pesquisa homenageio na semana da CONSCIÊNCIA NEGRA, uma pessoa muito especial para mim e que atarvés da música fez História e que viso dar continuidade ao seu trabalho...dando a minha voz para perpetuar na memória. Valeu Zumbi!!!
Salve Luiz Carlos da Vila!!!!
A valorização da História e cultura afro-brasileira por Luiz Carlos da Vila


Introdução

A valorização da História e cultura afro-brasileira por Luiz Carlos da Vila no CD Raças Brasil em 1995 no Rio de Janeiro é o título deste trabalho de conclusão do curso de pós-graduação em História da África e do negro do Brasil.
Encontraremos a música popular brasileira, especificadamente o samba, como fonte principal. Buscaremos como fonte inspiradora alguns sambas do já saudoso Luiz Carlos da Vila e analisaremos através de suas letras a sua visão da História e a cultura afro-brasileira.
A música será a nossa fonte de linguagem e aprendizagem e faremos dela o nosso elo com a oralidade africana.Segundo Hampâte Ba, autor africano “a tradição oral é a grande escola da vida”, a oralidade é transmitida dos mais velhos, os sábios para os jovens. Como os mais velhos têm uma maior sabedoria em relação a vida, fazem nascer nos mais novos o aguçamento da aprendizagem e dos segredos da vida[1].
A relevância deste trabalho encontra-se na exaltação que o cantor e compositor Luiz Carlos da Vila demonstra na nossa história e cultura. Os elementos principais do contexto em seus sambas que procuro evidenciar são : a presença africana, a cultura e a história do Brasil e a herança afro-brasileira.
Nós brasileiros somos descendentes diretos dos habitantes mais sofridos no mundo , os africanos. Foram arrancados de sua terra natal para serem escravizados e trazidos para o Brasil – Colônia no século XVI. Estes foram alvos dos interesses econômicos europeus que por sua vez acabaram culminando na transformação da cultura africana. A África, como sabemos é um continente mas não é uma unidade, é absolutamente heterogêneo, pois esta dividida em várias etnias, costumes, línguas , religiões, culturas diversas. E por sua vez, a vinda à força para as Américas afetou profundamente seus costumes.Ao longo dos anos os africanos e seus descendentes e os mestiços para se adequarem ao sistema foram se readaptando. Foram períodos de vastas lutas tanto internas (consigo próprios), como externas, à procura da conquista da liberdade. E finalmente em 1888, através de incontáveis formas de manifestação em prol da liberdade, conquistaram definitivamente seus objetivos . Porém, o que veio adiante da Lei Áurea não foi a resposta querida. Humilhações como racismo, falta de oportunidades no mercado de trabalho e na sociedade foram alguns itens que fizeram e fazem ainda parte da história do Brasil.
Luiz Carlos da Vila mostrará em suas letras o negro não como vítima passiva da situação ao qual se encontrava mas como agente da História. Uma história narrada de baixo para cima, valorizando e exaltando a brilhante atuação do negro na sociedade brasileira e o samba sendo nossa principal fonte de pesquisa. O samba será altamente importante e afirmador na construção da sociedade brasileira. De uma certa forma foi e é uma resposta aquela sociedade que desprezava a etnia negra, com conceitos estrategicamente racistas, o samba torna-se o cartão de visitas à estrangeiros e os próprios brasileiros com o passar do tempo assimilaram a importância do samba para a formação da nossa identidade.





[1]O que se encontra por detrás do testemunho, portanto, é o próprio valor do homem que faz o testemunho, o valor da cadeia de transmissão da qual ele faz parte, a fidedignidade das memórias individual e coletiva e o valor atribuído à verdade em uma determinada sociedade. Em suma: a ligação entre o homem e a palavra.

2 comentários:

Antonio disse...

Muito bom, Angélica!
Gostei muito mesmo.
Beijos e continue ecrevendo.

Tomé

Luciana Figueiredo disse...

Ouso dizer que nada do que passou pela mão dos negros no Brasil continuou a mesma. Em tudo eles deram um toque final, deixaram a sua marca. Seja na música, na dança, na culinária e na literatura também, afinal Machado de Assis é considerado até hoje o maior escritor brasileiro.
Continue postando a sua monografia, quero ler o restante.